Os alunos das turmas de 9º ano do AEGCC, visitaram no dia 19, pela manhã, o Pólo da Biodiversidade da Universidade do Porto, Casa Andresen/ Jardim Botânico.

No início foi o espanto por parte de todos nós perante a beleza do local: uma lindíssima casa de família - onde viveu a nossa grande poetisa Sophia de Melo Andresen, e um parque envolvente (Jardim Botânico) de tirar o fôlego, tantas e ricas são as variedades de plantas existentes no local. 

O conjunto, casa e Jardim Botânico, constitui o Pólo da Biodiversidade do Museu de História Natural. Quanto ao parque, construído em patamares, separados por magníficas sebes de camélias centenárias e coleções de árvores de grande porte – coníferas, abetos, plantas mediterrânicas (o nosso guia destacou algumas que nos são muito queridas, como o teixo, carvalho e o medronheiro) e muitas curiosidades do mundo vegetal. De destaque, foi a passagem pelas estufas, onde dominavam os catos, orquídeas e plantas tropicais. Nestas estufas foi enorme o espanto (pelo menos para os que estavam atentos…) com algumas curiosidades do fabuloso mundo vegetal – plantas (muito) venenosas, canibais, estratégias diversas de sobrevivência e polinização. Nos catos ficámos boquiabertos com algumas estratégias de defesa de algumas das espécies que, sob uma aparência de simplicidade e pouco ameaçadoras, contêm venenos poderosos, picos que não vemos a provocarem dores por muitos meses e ácidos no seu interior capazes de destruir capazes as nossas células até ao osso. Algumas lições com esta visita – a enorme beleza da natureza, a sua incomparável lógica (ou seja, nada é por acaso) e a necessidade de preservarmos até a plantinha mais insignificante. E quase a acabar o monitor falou por exemplo de uma substância recente descoberta na casca do Teixo (taxus bacata), a taxina – capaz de tratar de alguns tipos de cancros, e que esteve muito perto da extinção.
Ficou a lição desta visita - a necessidade de preservarmos e melhor conhecer a natureza, e de que alguns dos meninos mereciam descansar sob alguns dos catos que viram...

Depois de uma manhã dedicada ao ambiente e à biodiversidade, tivemos a sorte de assistir no período da tarde a uma magnífica representação no teatro Sá da Bandeira. A peça, O Auto da Barca do Inferno, um clássico português da autoria de Gil Vicente, que foi levado à cena pela primeira vez em 1531. Gil Vicente foi contemporâneo dos Descobrimentos mas, ao contrário de Camões, que exaltou os feitos portugueses, fez uma crítica mordaz, uma caricatura da sociededade de então.A peça a que assistimos é uma adaptação muito fiel da peça original - onde nada se poupa na linguagem e crítica feroz, mas com uma dinâmica adaptada ao público jovem e tempos modernos. O responsável pela encenação, apresentado em filme numa oportuna introdução ao teatro - explicativa do que é um teatro e da peça O Auto da Barca, é da autoria do falecido actor António Feio. Dinâmica, irónica, podemos mesmo afirmar que a peça decorreu a um ritmo alucinante, com personagens como o Parvo, Onzeneiro,Diabo, Judeu...a ficarem na memória de todos. E a peça concluiu-se com um magnífico rap, que muitos saíram da sala a cantarolar:
“Uiu, ui, barca do cornudo...filha de uma grande aleivosa, tua mulher é uma tinhosa e ha-de parir um sapo...”

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